Outlander: A Viajante do tempo.

Autora: Diana Gabaldon
Editora: Saída de Emergência
Páginas: 800
Gênero: Romance Histórico
Série: Outlander #01
Tradução: Geni Hirata
Avaliação:


                      Skoob | Saraiva | Submarino | Extra

  
Outubro foi um mês bem desafiante para mim em questão de leituras, isso porque foi o mês que escolhi para começar a conhecer os livros da Diana Gabaldon. Outlander foi uma leitura bastante longa e no caso deste livro o desafio foi não deixar que a leitura ficasse desgastante fazendo com que eu perdesse o interesse; felizmente isso não aconteceu.

Outlander é um romance histórico que se passa inicialmente em 1945 já no final da Segunda Guerra Mundial. Neste período somos apresentados a nossa heroína Claire Randall, uma enfermeira casada com um professor universitário. A história tem início quando o casal está de férias em uma segunda lua de mel para retomar o casamento depois da guerra; o local escolhido é Inverness Terras Altas na Escócia.

 Enquanto Frank mergulha incansavelmente em suas pesquisas sobre sua árvore genealógica e seus antepassados, Claire desbrava o pequeno povoado em que que estão e acaba encontrando um misterioso círculo de pedras, o magnífico monumento fica no alto da colina Craigh na Dun. Depois de presenciar um estranho ritual encenado por algumas moradoras do vilarejo, Claire acaba voltando sozinha ao lugar onde fica o monumento e é nesse monumento que a história realmente começa. 

Movida pela curiosidade acaba se aproximando demais e atravessando uma brecha no círculo de pedras, ela faz uma viajem no tempo de 200 anos atrás. Claire se encontra ainda na Escócia na colina Craigh na Dun, mas no século XVIII. Depois de muitos apuros e ainda tentando entender o que aconteceu, ela cai nas mãos dos homens do clã Mackenzie e conhece Jamie Fraser. 

O rapaz está ferido e Claire ajuda a tratar de seus ferimentos, sem saber realmente quem a moça é e temendo que ela seja uma espiã, os homens a levam para Colum MacKenzie, senhor do Castelo Leoch e do clã MacKenzie. Claire é aceita no clã como uma hóspede, mas é mantida sob suspeita e vigiada constantemente. 

[...] Colum não pronunciou as palavras a seguir, mas era como se o tivesse feito. Elas ficaram pairando no ar às minhas costas tão claramente como se tivessem sido ditas, enquanto eu me afastava: "Até eu descobrir quem você realmente é". pág. 100

Imagem da Série de TV.
Perdida em uma época bem diferente da sua, Claire tenta entender o que aconteceu e como foi parar na escócia de 1743; só lhe resta tentar se adaptar a tempos tão arcaicos e selvagens. À medida que o tempo vai passando sua amizade com Jamie se torna mais sólida.

Ele é um jovem escocês de 23 anos, sobrinho de Colum MacKanzie está vivendo em constante perigo pois é um foragido procurado. Tentando se manter viva e buscando uma forma de voltar ao presente, Claire ainda terá que lidar com a inesperada atração que sente por Jamie. Estar dividida entre o amor por dois homens só faz a sua vida ainda mais confusa. 

[...] Pensei em lhe dizer que seu próprio toque queimava minha pele e enchia minhas veias de fogo. Mas eu já estava acesa e brilhando como ferro em brasa. Fechei os olhos e senti o toque quente mover-se para minha face e para a têmpora, orelha e pescoço, e estremeci quando suas mãos desceram para minha cintura e me puxaram para junto dele." pág. 305

Imagem da Série de TV
Há muito tempo quero ler Outlander, e desde que foi lançado a primeira vez ele estava na minha lista de desejados e futuras leituras. Sempre acabava deixando para depois porque a edição antiga não era muito acessível e o fato de ser um livro bastante grosso assustava um pouco.

A minha surpresa foi que mesmo sendo um livro de 800 páginas não chega nem perto de ser uma leitura densa ou difícil, estava esperando uma história com uma linguagem mais complicada ou até rebuscada já que é um romance histórico, ao contrário disso a escrita da Diana Gabaldon é muito envolvente, bastante fácil de absorver o que deixa a narrativa bem fluida. 

Outlander foi uma leitura que ficou marcada e se tornou uma das minhas histórias favoritas mesmo eu tendo demorado para entrar no clima da leitura, acho que isso aconteceu por conta das minhas expectativas que estavam muito altas. Apesar disso, a trama conseguiu me prender e encantar e quando isso aconteceu fui capaz de perceber a excelência do texto da Diana e toda a euforia entorno do Jamie. 

O livro é narrado em primeira pessoa pelo ponto de vista da Claire confesso que duvidei que a narrativa fosse funcionar bem; um livro enorme narrado por um único personagem? Achei que em algum momento a autora se perderia e seria possível ver furos na história, como por exemplo as cenas de batalhas ou situações em que o Jamie seria o foco, mas o que encontramos é uma protagonista que consegue conduzir perfeitamente a trama e deixa sempre o leitor à parte de todos os acontecimentos e detalhes da narrativa. 

Toda a história é dividida em seis partes que narram em sequência os acontecimentos da aventura de Claire, o texto tem uma organização perfeita e o leitor acompanha cada passo da evolução da trama sem se perder dentro da história. É como se você tivesse ouvindo a autora lhe contar a história, Diana possui uma linguagem extremamente natural e espontânea.

[...] Eu a desejei desde o primeiro instante que a vi, mas eu a amei quando você chorou em meus braços e deixou-me confortá-la, naquela primeira vez que chegamos ao Castelo Leoch..." pág. 612

Imagens da Série de TV

Os personagens são muito bem construídos conseguimos visualizá-los tão bem dentro da história que às vezes sentimos como se fossem reais, assim como o cenário que é bastante rico em descrições. Diana nos faz mergulhar fundo na Escócia do século XVIII e para mim foi um privilégio, já que eu amo esse lugar sem nunca ter conhecido pessoalmente. 

 Os costumes, as tradições, a forma de vida e também de sobrevivência o fundo histórico que a autora inseriu no enredo, tudo isso só trouxe ainda mais consistência para a trama. Foi muito fácil se imaginar naquelas situações junto com a Claire e sentir suas angústias, seus medos, seu sofrimento e também a confusão dos seus sentimentos. 

 Jamie não tem o que falar; um mocinho completamente apaixonante é bastante maduro para sua idade, tem caráter bem construído e personalidade forte, integro e bem-educado ele foi me conquistando aos poucos. No começo confesso que ele não me impressionou nenhum pouco, mas a medida que foi aparecendo na história seu jeito doce foi me encantando, e quando vi já estava suspirando pelo escocês cabeça-dura! Claire e Jamie formam uma dupla e tanto juntos; eles me arrancaram boas risadas! 

 Para aqueles que reclamam de romances estilo miojo podem ficar tranquilos, o romance de Jamie e Claire acontece aos poucos e evolui a partir de uma amizade sincera que resulta em um amor forte e até ardente, mas a nossa mocinha não esquece em momento algum da difícil realidade que vive. Ela é forte, segura de si, inteligente e mesmo que tenha voltado no tempo ela conserva até o fim as características que a definem como uma mulher do século XX. 

[...] - Solte-me! - gritei. - Solte-me, seu - deliberadamente, usei as palavras de Harry, o desertor, tentando feri-lo - filho da mãe no cio! - Ele me soltou e recuou um passo, os olhos flamejando. - Sua cadela de boca suja! Não vai falar assim comigo!- Falo do jeito que quiser! Não pode mandar em mim!- Parece que não! Você faz o que bem entende, não importa quem você magoe com isso não é? [...]" pág. 364


O vilão da história também não deixa a desejar, se os mocinhos são encantadores o vilão leva o prêmio de criatura mais odiosa, Jack Randall desperta a fúria do leitor; impossível não odiá-lo.

A parte estética do livro está ótima, a capa é bonita e está em harmonia com a história, a diagramação está bem elaborada, as letras têm bom tamanho que deixam a leitura confortável, as folhas são amarelas, os capítulos são longos, mas estão bem distribuídos e não encontrei erros de revisão. É o primeiro livro da Saída de Emergência que leio e gostei muito do trabalho e cuidado da editora com a obra. 

 Outlander é uma obra magnífica que embora assuste um pouco por causa de seu tamanho vale muito a pena ser lida. Com uma trama cheia de reviravoltas, conflitos de tirar o fôlego e deixar o coração aflito e apertado, encanta o leitor com um texto cheio de detalhes que só aguça ainda mais nossa imaginação e nos faz realmente viajar no tempo. Quem ainda não leu, só tenho um conselho: leia, leia, leia!! 

  [...] - Meus braços o envolviam, acariciando as cicatrizes enrijecidas de suas costas. - Eu mesmo posso suportar a dor - disse ele suavemente -, mas não aguentaria vê-la sofrer. Está acima das minhas forças." pág. 622    







3 comentários:

  1. não imaginava que era tão bom assim *---*
    gostei.
    vou ver se dou uma olhadinha nesse livro e já fiquei apaixonada por causa das imagens, adoro visualizar o que vou ler.
    Seguindo o Coelho Branco

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  2. Rafa, quase que comprei o livro esses dias na livraria! Pena que não o peguei... mas é claro, ele já foi pra minha listinha com mais prioridade ainda, pois a sua resenha me deixou com muita vontade de lê-lo rs

    Beijos,
    Caroline, do criticandoporai.blogspot.com

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  3. Rafa ufa que resenha grande, mas compensou ler cada palavra. Amei e fiquei louca para ler!!! Pois é amiga esse com certeza vai para minha lista de livros grossos que pretendo ler um dia. Preciso urgentemente diminuir minha pilha de não lidos para poder investir nos livros grossos que tanto desejo. Amei saber sua opinião viu!!!
    Parabéns pela leitura e resenha!!! Beijos

    Leituras, vida e paixões!!!!

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Beijos da Rafa!!



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